mar 162017
 


No final dos anos 90 e ao longo dos 2000s os franceses estavam a dar cartas no terror, era o nascimento de um movimento que acabou se tornando um novo sub-gênero do horror, o infame New French Extremity (Novo Extremismo Francês). Responsável em minha opinião por trazer os melhores longas do gênero nessas últimas duas décadas.

Caracterizado por filmes transgressores, extremamente violentos, contendo doses cavalares de sadismo, erotismo e fúria. O New French Extremity é composto por um bando de longas que funcionam como ode à violência como forma de estética, amorais e pessimistas. Mas não se trata de um movimento puramente apelativo, aqui os filmes trazem subtextos que fazem paralelos à sociedade francesa, abordando desde questões psico-sociais, tabus religiosos, preconceito, machismo e até política. Uma marca também a ressaltar são personagens principais femininas (Essa última característica, inclusive, fez alguns críticos atribuírem ao gênero o rótulo de “Torture Porn”, que caracteriza filmes em que mulheres são colocadas em perigo e torturadas apenas para o deleite da platéia masculina. A meu ver não cabe esse rótulo aqui, pelo menos não para todos ou todo o movimento).

Os diretores e diretoras que começaram o movimento não tinham o menor pudor em mostrar cenas de estupro, nudez, mutilações e torturas. O princípio era chocar, tirar o espectador de sua zona de conforto, complacência e indiferença. E a idéia era usar da própria violência encenada para questionar o feitiche humano pela mesma.



Somos alucinados por violência, e a prova disso são as altas audiências de programas policiais violentos e noticiários sensacionalistas que escorrem sangue da TV. Ao nos depararmos com um acidente de automóvel, por exemplo, é comum vermos uma turba de curiosos ao redor da tragédia sedentos por sangue. O New French Extremity veio para chamar nossa atenção através da violência artística para com a violência real e nosso bizarro feitiche pela mesma. É a metáfora absoluta para os extremos que podemos chegar através do ódio, do preconceito, do machismo, da nossa loucura diária e nossa falta de limites capaz de pontuar ações irreversíveis.   



Fiz uma seleção de 15 filmes do movimento para quem têm a curiosidade de conhecê-lo. Mas já vou avisando que são filmes fortes, pesados, aqui vocês encontrarão o que há de pior em toda podridão que o ser humano pode chegar.

Se você quiser saber absolutamente TUDO que um vídeo precisa para entrar na lista proibida dos nasty videos, é só assistir os filmes dessa lista!

 

1-IRREVERSÍVEL (Irréversible, 2002) de Gaspar Noé; 

2- DESEJO E OBSESSÃO (Trouble Every Day, 2001) de Claire Denis;

 

 
3- SOZINHO CONTRA TODOS (Seul contre tous, 1998) de Gaspar Noé; 

 

 

4- MÁRTIRES (Martyrs, 2008) de Pascal Laugier;

 

 
5- A FRONTEIRA (Frontière(s) / Frontier(s), 2007) de Xavier Gens;

6- A INVASORA (À l’intérieur / Inside, 2007) de Alexandre Bustillo & Julien Maury;

 

 

7- EM MINHA PELE (Dans Ma Peau, 2002) de Marina de Van;

 

 

8- ELES (Ils / Them, 2006) de David Moreau & Xavier Palud; 

 

 

9 – SATÃ (Sheitan, 2006) de Kim Chapiron;

 

 

10- BAISE-MOI (2000) de Virginie Despentes & Coralie Trinh Thi; 

 

 

11- ALTA TENSÃO (Haute Tension, 2003) de Alexandre Aja;

 

 

12 – LEGIÃO DO MAL (La Horde / The Horde, 2009) de Yannick Dahan & Benjamin Rocher; 

 

 

13- ESPIONAGEM NA REDE (Demonlover, 2002) de Olivier Assayas; 
 

 

 

14- OS AMANTES CRIMINAIS (Les amants criminels, 1999) de François Ozon;

 

 

 

15- CALVÁRIO (Calvaire, 2004) de Fabrice Du Welz.

 

 

Por: Roberto Teva.

 

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